O bloco que não foi

Eu juro que não recebo verba do governo do Rio de Janeiro para escrever nesse blog, mas enfim, acabei de voltar de lá novamente. Dessa vez fui para passar o Carnaval, o que foi muito, mas muito legal.

Não sou exatamente uma foliã, e muito menos fã de alguma escola de samba. Meu objetivo no Carnaval carioca era sair no Sargento Pimenta, um bloco de rua só de músicas dos Beatles – em ritmo de marchinhas, samba e tudo aquilo que a Globeleza gosta de dançar. Parece genial, né? Era o que eu achava também. Pena que a empolgação que eu tive ao ver os vídeos do bloco no Youtube não se concretizou ao vivo. Aliás, que bizarro um bloco ser melhor pela internet do que pessoalmente, né? E o mais bizarro ainda é que, ao que tudo indica, foi exatamente por parecer sensacional que toda essa experiência “bloco do sargento pimenta” acabou virando uma decepção.

Pra começar pela divulgação do grupo. Eles fizeram uma página no Facebook, e lá postavam quase que diariamente – e várias vezes ao dia – informações, vídeos, fotos e mais fotos de shows anteriores. O bloco também saiu em diversos programas de TV, jornais e inclusive na revista da Gol tinha uma coluna, mesmo que pequena, sobre o tal evento que aconteceria na segunda-feira, dia 20. É claro que com tamanha divulgação, muitas pessoas compareceriam. E é claro também que gente que nunca ouviu Beatles iria para o Aterro do Flamengo (onde tudo aconteceu) para beber até cair, caçar etc. Ouvi dizer que tinha até gente reclamando que eles só cantavam em inglês. Oi?

O lugar que eles escolheram, pensando bem, também não foi dos melhores. O Aterro do Flamengo é enorme. Eles esperavam cerca de 10.000 pessoas no bloco, e segundo o jornal O Globo, G1 e afins, mais ou menos 100.000 seres humanos compareceram. Dez vezes mais do que o esperado. E óbvio, com um lugar gigante, é claro que as pessoas se espalhariam, o som não chegaria lá no fundo e muita, mas muita gente sairia decepcionada. Tipo eu. Pode ser que pelo problema do som, a música também tenha perdido sua qualidade, não sei. A real é que pelo pouco que ouvi, achei tudo bem sem graça, e mais uma vez pergunto: como que pode um bloco ser tão bom no Youtube e tão “nhé” ao vivo?

ó o bloquinho de rua (foto: O Globo)

Eu não sei como é feita a divulgação desses blocos, se eles têm assessoria ou não. Mas caso o Sargento tenha, taí um exemplo mal trabalhado. Depois de divulgar aos quatro ventos, escolher um local imenso e ver que nem tudo foi como o planejado, fica fácil dizer que o grande problema foi o público maior do que o esperado. Estranho não esperarem muita gente depois de serem publicados em alguns dos maiores veículos do país, mas ok.

Dos males o menor: pelo menos não paguei por isso. E aliás, ainda acho a ideia do grupo sensacional. Quem sabe eu assista a um show deles e mude de opinião.

@ Rio

Olha, Rio, nunca te achei a última bolacha do pacote, mas dessa vez você me surpreendeu.

Já combinei comigo mesma que se um dia eu tiver que me mudar pra lá, acordarei todos os dias às 6h da manhã, correrei na orla ou na Lagoa (depende do dia), darei um mergulho no mar, irei ao trabalho – né -, darei mais uma caminhada, tomarei uma água de côco e voltarei pra casa leve, leve. Aham, Claudia, senta lá. Não seria nada mal.

Cidade sedentária

Se tem uma coisa que me incomoda em São Paulo é a falta de estrutura para se ter uma vida saudável sem precisar gastar horrores em uma academia fechada. Aqui não tem ciclovia que ligue vários pontos da cidade, não tem parques com pista para correr em todos os bairros, as ruas são um sobe e desce infinito e para chegar ao Ibirapuera, por exemplo, é necessário sair vencedor do trânsito da Avenida Brasil – meu caso, pelo menos. E vamos combinar que não há nada mais estressante do que alguns bons minutos parado entre os carros, ainda mais quando o que você mais quer é exatamente o oposto: andar, correr, pedalar. Por essas e outras, fazer uma pequena caminhada em São Paulo acaba virando toda uma função. Aqui, a menos que você more em frente a um parque, sair para se exercitar vira um programa como ir ao cinema, a um restaurante ou ao teatro (precisa de carro, estacionamento, você fica num único lugar e depois vai embora), com a única diferença que não há filas quando se chega ao destino, coisa que eu também não duvido que aconteça num futuro não tão distante, porque lugar sem fila aqui é meio que uma raridade, uma atração turística.

Semana passada eu fui para o Rio, e claro que nem preciso dizer que lá o esquema é completamente diferente. Imagino que na terra dos cariocas o problema seja outro. Enquanto aqui em São Paulo a gente implora para a cidade por um pouco de vida saudável, lá é a cidade que clama que seus habitantes aproveitem tudo que ela pode oferecer para uma rotina mais leve. E como D’us dá pão para quem não tem dente, duvido que chegue a um terço da população o número de gente que corre pela Lagoa Rodrigo de Freitas, dê um mergulho todo dia antes de ir ao trabalho, pedale pela orla e etc. Acho que quem acaba fazendo isso pelos cariocas são os turistas deslumbrados, tipo eu, que deixei a cidade com uma programação saudável completa para o caso de um dia eu me mudar para lá; e as celebridades e subcelebridades, que aparecem todo santo dia no Ego pegando uma praia, fazendo uma caminhada ou jogando um vôlei na areia.

Tudo bem, o Rio é tipo aquelas pessoas que passaram 1000 vezes pela fila da beleza antes de virem ao mundo e isso não dá pra contestar. Ou melhor, não dá pra fazer nada a não ser invejar.  A cidade tem calçadão com vista para o mar, tem uma orla imensa que dá pra treinar até para a Corrida de São Silvestre, tem ciclovia, tem a Lagoa, enfim, tem coisa suficiente para qualquer real gasto em academia se transformar no maior desperdício de dinheiro já visto. E mesmo que não tivesse todas essas belezas naturais, ainda dava pra ser pelo menos um pouquinho mais saudável que a terra da garoa aqui.

Santiago, por exemplo. Não tem praia, não tem Lagoa, mas é uma cidade grande com um espírito light, digamos assim. Passei agora nas férias um mês no Chile, e juro, eu seria capaz de me mudar pra lá só pelos hábitos que a capital – e sua população – tem. Pra começar, a cidade é plana e não tem buracos nas calçadas. O que isso significa? É tranquilo deixar o carro na garagem e fazer tudo caminhando E, se já não bastasse isso, o pessoal de Santiago ainda tem toda uma cultura com bicicletas, do nível mulheres de salto indo trabalhar pedalando. Além disso eles têm ciclovia pela cidade, em todo lugar tem tipo um estacionamento para bicicletas e quem não tem uma magrela pode usar de graça as bicicletas dos setores, que é como eles chamam os bairros.

Mas o mais impressionante de tudo eu vi no meu último dia por lá. Tem uma avenida, se não me engano, que além do espaço para os carros passarem, calçadas para pedestres e ciclovia para as bikes, ainda tem uma pista DE AREIA para o pessoal correr como se estivesse numa praia. DE AREIA. E tudo muito limpo, assim como a cidade toda. Pra mim isso é coisa de outro mundo. Um mundo, aliás, em que eu adoraria viver. Mas enquanto as coisas não mudam por aqui, o que me resta é depositar o dinheirinho – que de “inho” não tem nada -, na conta da academia perto de casa. E  um “viva!” para as pedaladas sem sair do lugar, para a corrida em que não se chega a lugar nenhum e para o ar condicionado que faz disso tudo a experiência saudável mais artificial que existe.

Antes de qualquer coisa

Sim, eu mudei de blog. E sim, esse post deveria explicar os motivos e etc, mas vou deixar isso para um próximo. Hoje farei um apelo breve.

A Livraria Saraiva me mandou um email muito simpático. Tão simpático, mas tão simpático, que fazia bastante tempo que eu não lia algo tão carinhoso na minha caixa de entrada. Dizendo sentir minha falta ou melhor, do meu cartão de crédito, a livraria está me oferecendo 30% de desconto na compra de qualquer livro. Aí é aquela coisa: eu não queria comprar nenhum, mas agora me sinto meio que na obrigação, porque desconto nunca é demais, e essa é a minha filosofia de vida. Se esse e-mail tivesse vindo há, sei lá, 2 meses – antes da minha viagem ao Chile, onde comprei mais 10 livros -, o desconto não duraria nem 15 minutos. Mas  já tem quase 2 dias que o recebi e até agora não sei o que fazer com ele. Já rodei o site inteiro e ao que tudo indica não me interessei por nada.

Tenho até o dia 2 pra sair no lucro. Alguém tem boas indicações de livros? Pode ser título novo, velho, modinha, clichê, cult, qualquer coisa. Please!?